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Terezinha do Acordeon celebra 70 anos com live

“O forró pé-de-serra enverga, mas não quebra. Somos resistentes e teimosos”, diz a cantora, compositora e acordeonista pernambucana Terezinha do Acordeon, que celebra 70 anos em pleno vapor, difundindo e fortalecendo a musicalidade nordestina no país. “Nordestino é madeira de dar em doido”, completa, citando o poeta e músico Accioly Neto. A data será lembrada em live hoje, a partir das 20h, com transmissão no YouTube e participação de artistas da nova e velha geração do ritmo: Maciel Melo, Almério, Martins, Cristina Amaral, Gennaro, Beto Ortiz, Marcelo Rossiter, Cezzinha e Isabela Moraes.

“Essa live será uma grande celebração. O repertório, procurei fazer com músicas que canto ao longo desses anos, priorizando a autêntica música nordestina. Homenageando Anastácia e Marinês, que são mulheres importantes para a minha formação musical, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro”, adianta Terezinha. Para brindar a data, a cantora convidou parceiros do tempo que iniciou nos palcos, como Maciel Melo, Cristina Amaral e Gennaro, além dos aprendizes e “filhos do coração”, como se refere a Beto Hortiz e Cezzinha, e dos músicos da nova geração, representados por Almério, Isabela Moraes, Martins e Marcello Rossiter.

Natural de Salgueiro, no Sertão do estado, Terezinha fez uma geração de sanfoneiros a chamarem de “mãe”, como referência no instrumento há anos. Para a artista, apesar dos percalços, a música sempre deu alegria. “O prazer de tocar, cantar, os amigos que fiz pelo caminho, isso não tem preço. Agradeço a Deus pelos longos anos de vida bem vividos. É muito bom fazer o que gosta”, diz a cantora, que começou a tocar acordeon aos 14 anos, quando participou de um grupo musical formado na escola onde estudava. Ela abandonou a carreira promissora quando se casou, em 1970, mudando-se para o Recife. Felizmente, a trajetória artística foi retomada, em 1983, quando lançou o disco Terezinha do Acordeon – Alegria do Sertão.

Sem formação artística, Terezinha Bezerra Chaves aprendeu a cantar na peleja dos ensaios e shows, subindo no palco “na cara dura”, como conta. Ao longo da carreira, recebeu homenagens, como no Encontro de Sanfoneiros do Recife, e foi responsável pela realização do Primeiro Baile de Fantasia dos Forrozeiros, ao lado de Irah Caldeira. Dividiu o palco ao lado de vários sanfoneiros, como Chiquinha Gonzaga e Xico Bizerra, além de grandes nomes da cena forrozeira, como Gennaro e Walquíria Mendes, Paulinho Leite, Maciel Melo, Anchieta Dalí, Chico Bala, Paulinho do Acordeon e Petrúcio Amorim. Teve músicas gravadas sobretudo na voz de Elba Ramalho.

Aos 70 anos, Terezinha garante que não vai parar e anuncia novos planos. “Pretendo fazer um documentário da minha história na música, gravar um novo disco e continuar com as aulas de acordeon com meus alunos. Me vejo cantando e tocando para meu povo em todos os lugares possíveis e, se Deus me permitir, voltar a Europa, quem sabe?”, almeja. Apesar de reconhecer a importância do surgimento de novos ritmos derivados do gênero, Terezinha segue sendo símbolo de resistência do forró de raiz no estado. E reflete com preocupação sobre os rumos da musicalidade nordestina. “Sinto falta de qualidade musical.”

Diante da pandemia, Terezinha precisou se resguardar em casa, distanciando-se dos palcos por mais de um ano. “Para o artista, a falta de público é terrível. Mas, como é pro bem de todos, paciência, vai passar. Fiquemos em casa, curtindo a família, no meu caso netos e filhos, e aproveitando para compor e preparar material para a volta. Que, espero, será em breve”, aposta.

Fonte: Diário Perbambucano